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Com chegada do verão, litoral de SP já registra 36 mil casos de dengue


Com a proximidade do verão e da alta temporada, prefeituras do litoral paulista adotam diferentes estratégias para tentar evitar uma nova epidemia de dengue. Neste ano, o número de casos na região deu um salto em relação ao ano passado: de 1.465, passou para 36.470 (até 15 de novembro).
 
O número deste ano é alto, mas não chegou a superar a mais recente grande epidemia, ocorrida em 2009 e 2010. O Estado de São Paulo confirmou o registro de 189 mil casos de dengue em 2010 --recorde histórico. Em 2009, houve 9.665 contaminações.
 
Sete pessoas já morreram: três em Guarujá e São Vicente e uma em Caraguatatuba.
 
No litoral sul, Guarujá, São Vicente e Peruíbe estão em estado de alerta, segundo índice do Ministério da Saúde que aponta o percentual de imóveis infestados pelo mosquito transmissor. No norte, o alerta vale para São Sebastião e Ubatuba.
 
A maioria das iniciativas envolve intensificação das visitas porta a porta, distribuição de material informativo e bloqueio dos criadouros.
 
A Prefeitura de São Sebastião, por exemplo, está investindo em telagem de caixas d'água, visitas domiciliares e palestras educativas.
 
"É preocupante passar por uma epidemia durante a temporada, por isso trabalhamos com prevenção. Mas temos estrutura para tentar atender os pacientes da melhor maneira possível", disse o diretor de Saúde de São Sebastião, Marcos Mathias.
 
Em Guarujá, onde cinco homens do Exército auxiliaram os agentes de controle no combate ao mosquito em outubro, o discurso é diferente.
 
"Não temos profissionais, insumos nem medicamentos para atender com excelência o público numa epidemia de dengue na temporada", disse o diretor de Vigilância em Saúde do município, Marco Antonio Conceição.
 
GRAVIDADE
 
A gravidade da dengue tende a ser maior quando a pessoa contrai a doença duas ou três vezes --o que acende um sinal amarelo em regiões que tiveram epidemias recentes.
 
"A pessoa nunca tem o mesmo tipo de dengue, pois vai ganhando imunidade. Na segunda vez, ela tem mais risco de desenvolver a dengue hemorrágica e ter complicações que podem levar à morte", diz o médico Marcos Cyrillo, diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia.
 
A cinegrafista Lauana Ribas, 32, de Caraguatatuba, pegou dengue pela última vez em 2012 e agora teme a exposição ao mosquito. "Num período de oito meses tive dengue duas vezes. Na segunda, fiquei quase duas semanas de cama. Tenho medo de que algo pior aconteça se eu pegar mais uma vez", disse.
 
Segundo Cyrillo, o verão é mais propício para a proliferação do Aedes aegypti, principalmente em áreas litorâneas, porque as chuvas rápidas e a vegetação atraem as fêmeas, que transmitem o vírus aos seres humanos.
 
Além disso, parte das casas do litoral somente é usada em fins de semana e feriados, o que facilita o acúmulo de água em locais que servem de criadouro para o mosquito e impede o acesso das equipes de combate das prefeituras.
 
Entenda a doença por folha de SP
 
 
 
Fonte: Folha de São Paulo/
RICARDO HIAR/ COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM CARAGUATATUBA (SP)