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Dança promove autoestima, diversão e saúde para pessoas com síndrome de Down.


A mãe de Aline Fávaro matriculou a filha em uma aula de balé clássico aos oitos anos de idade para que a menina pudesse se exercitar. O hobby se transformou em profissão e hoje, aos 32 anos, Aline é a única bailarina com síndrome de Down no Brasil a dançar com sapatilhas de ponta. A dança, que já levou a jovem a conhecer outros países e lançar o livro A Bailarina Especial, também tem provocado grandes transformações na vida de outras pessoas com síndrome de Down.
 
 
“Quando ela nasceu, não havia tantas informações como hoje e tivemos que fazer nosso próprio caminho baseado em buscas coerentes. Felizmente, as coisas deram muito certo e hoje Aline tem nos dado muitas alegrias e está sendo sempre requisitada para se apresentar aqui e ali, mostrando sua eficiência no balé clássico”, conta orgulhoso João Tomaz da Silva, pai da bailarina.
 
A atividade física é recomendada para diminuir os fatores de risco de doenças cardiovasculares, dos distúrbios do aparelho locomotor e até mesmo da depressão e ansiedade, condições que muitas vezes afetam as pessoas com a síndrome. Além do exercício em si, há os aspectos terapêuticos, como o exercício da memória para decorar as coreografias. A dança é um meio de tornar os indivíduos independentes e atuantes na comunidade, os incentiva a enfrentar barreiras e romper preconceitos.
 
A carioca Marcela Máximo tem 20 anos e começou a dançar aos cinco. A jovem revela que inicialmente foi matriculada na aula de balé clássico mas preferiu seguir outro caminho. “Pedi para a minha mãe me colocar no jazz. Eu acho jazz mais legal, mais animado. Lá na aula eu converso com as minhas amigas. Amo dançar e danço muito bem. Eu me divirto e cuido da minha saúde”, conta animada a integrante do Conselho Editorial Acessível do Movimento Down.
 
 
Danças árabes atraem cada vez mais pessoas
 
Samanta Quadrado, hoje com 25 anos, também começou a dançar com cinco. Samanta, que mora em São Paulo, além de trabalhar, faz aulas de dança do ventre no Clube Militar de São Paulo e é a única aluna com síndrome de Down da turma. “Eu amo dançar e gosto muito das aulas com a professora Mahina. Já fiz duas apresentações e estou me preparando para outras”, conta animada.
Também em São Paulo, um grupo de 10 jovens com síndrome de Down se reúne para aprender a dança do ventre. “Tenho 15 anos de experiencia em danças árabes. Tenho um espaço de dança e dou aulas gratuitas para jovens com síndrome de Down, o grupo Malak (veja abaixo o vídeo de uma das apresentações). Elas estão comigo a 6 anos e já se apresentam em festas e concursos”, contou Nira, pela da página no Facebook do Movimento Down.
 
Projeto reúne dançarinos com síndrome de Down
 
O Grupo Incluart, de Cuiabá, Mato Grosso do Sul, desenvolve um trabalho de inclusão social por meio da dança desde março de 2011. O projeto “UP Down – Inclusão, Cultura e Qualidade de Vida”, reúne 24 dançarinos, 14 com a síndrome Down. A iniciativa surgiu quando alguns pais de pessoas com síndrome de Down identificaram a necessidade de preencher o tempo de seus filhos com uma atividade capaz de proporcionar qualidade de vida e elevação da autoestima.
 
“Essa ação é importante principalmente para as pessoas com síndrome de Down porque se fala tanto em inclusão, mas muitas vezes fica só na teoria e nós estamos vendo isso na prática. Meu filho está na adolescência, e em todas as idades eles (pessoas com síndrome de Down) precisam de um incentivo para melhorar a autoestima. E o João gosta de participar, de dançar. Acho importante essa inclusão, o contato com outras pessoas. A gente vê que eles ficam contentes”, afirma Maria José Deniz, mãe do João Pedro, 18 de anos, que tem síndrome de Down.
 
O grupo se apresenta em eventos e participa de trabalhos em universidades e escolas, além de festivais de dança. Regina Carvalho, professora e presidente do projeto, ressalta que os benefícios da dança são para todos. “A dança contribui para estimular a descoberta de potencialidades adormecidas, proporciona a aceitação e valorização das diferenças, melhora os recursos da comunicação e desenvolve as capacidades cognitivas, a motivação e a memória”.
 
 
 
 
 
 
Fonte: Movimento Down, com informações do Diário de Cuiabá