NOTÍCIAS

Estrabismo


Vesgo não, estrábico! 
 
A parte estética é o menor dos problemas de quem tem estrabismo, uma condição ocular que exige diagnóstico e tratamento precoces. Em geral, surge na infância. 
 
Por dentro da visão
 
O cérebro é responsável tanto quanto os olhos pela nossa visão. É nele que as imagens captadas pelos olhos são interpretadas. Em pessoas com a visão normal e olhos alinhados, eles se fixam nos objetos e cada um deles focaliza uma diferente imagem. As duas imagens captadas são passadas para o cérebro e se transformam em uma só. Essa característica do ser humano se chama visão binocular, ou seja, quando os dois olhos permitem que tenhamos uma percepção tridimensional do mundo. 
 
E aqui está uma curiosidade: pessoas com estrabismo não conseguem ver filmes em 3D! Nos estrábicos, um dos olhos apresenta um desvio, que pode ser para dentro, para fora ou na vertical. Com isso, o estrábico enxerga com menor senso de profundidade, uma vez que o cérebro só consegue interpretar uma imagem. O estrabismo atinge de 2 a 3% da população. 
 
Causas
 
O cérebro possui seis pares de músculos comandados por nervos, conectados ao sistema nervoso central. Para que a visão seja normal, esses músculos precisam atuar de forma sincronizada. 
 
Uma das causas mais comuns do estrabismo é um grau alto de hipermetropia, um erro refrativo que acontece quando a luz que chega à retina sofre um desvio e não é focada nessa parte do olho, dando origem aos “erros refrativos”, que afetam a nitidez da visão. 
 
Outra causa provável são problemas de coordenação motora, problemas de visão em um dos olhos, traumas na região da cabeça, derrame, paralisia cerebral, doenças genéticas, diabetes e hereditariedade. 
 
Tipos de Estrabismo
 
Esotropia ou desvio convergente: acontece quando um dos olhos desvia-se para o lado do nariz, direito ou esquerdo. Este tipo representa cerca de 80% dos casos de estrabismo na infância e, geralmente, surge por volta dos 18 meses. Até os 6 anos de idade, a criança pode vir a desenvolver o estrabismo. A esotropia desenvolve-se em decorrência da hipermetropia não tratada, uma vez que a criança é obrigada a esforçar a visão para conseguir enxergar. 
 
 
 
Exotropia ou desvio divergente: acontece quando um dos olhos desvia-se para fora. 
 
 
 
Desvio vertical: ocorre quando um olho fica mais alto ou mais baixo que o outro. Também chamado de hipertropia quando o olho fica para baixo e hipotropia quando o olho desvia-se para cima. 
 
 
 
Sintomas
 
O principal sinal é o desvio do olho. Alguns pacientes podem sentir dor de cabeça, dor nos olhos e sono durante atividades que exijam muito da visão. 
 
 
Consequências
 
Quando não tratado, o estrabismo pode causar outra condição chamada de ambliopia, também chamada de “olho preguiçoso”. O olho desviado começa a ficar “preguiçoso” o que faz com que perca ou não chegue sequer a desenvolver a função visual. 
 
Essa é uma das consequências mais sérias do estrabismo, a falta de acuidade visual, não por razões orgânicas, mas por falta de utilização do olho já que o cérebro do estrábico deixa de usar a imagem que chega através dele.
 
O estrabismo precisa ser detectado precocemente nas crianças, pois se ele evoluir para a ambliopia, só pode ser revertido durante a infância.  
 
Como a visão se desenvolve
 
Nos primeiros meses de vida pode ser normal as crianças parecem vesgas. Isso não deve ser motivo para preocupação dos pais. Ao nascer, a visão não está completamente desenvolvida. Isso acontece justamente na infância. Mas, se com o passar do tempo o olho parecer desviado, é importante levar a criança a um oftalmologista. 
 
 
Diagnóstico
 
O diagnóstico deve ser feito por um médico oftalmologista. Toda criança deve ser avaliada a partir dos 3 anos de idade ou antes, caso os pais percebam alguma alteração. 
 
Tratamento
 
O tratamento do estrabismo vai depender da condição, da idade e do tipo de estrabismo. Um dos mais usados é a oclusão, ou seja, usa-se um tampão no olho sadio ou em ambos, algumas horas por dia, dependendo da idade da criança. Mas, esse tratamento só pode ser feito até os 8 anos de idade. Se isso não for feito, a criança corre o risco de perder a visão de um dos olhos. 
 
Vale lembrar que a oclusão não corrige o desvio dos olhos, mas ajuda a desenvolver a visão. Com isso, a cirurgia pode ser feita apenas por uma questão de estética. O uso de óculos também pode ajudar a melhorar o desvio e em outros casos somente a cirurgia pode corrigir o desvio. 
 
Perguntas e Respostas
 
1-Forçar os olhos para brincar de “ser vesgo” pode levar ao estrabismo?
 
Não, nem tomar vento, beber gelado ou qualquer outra crença popular causa o estrabismo. O problema é na maioria das vezes genético e ligado a problemas nos músculos que movimentam os olhos. 
 
 
 
2-É verdade que crianças estrábicas têm torcicolo?
 
Sim, além de torcicolo podem ter dores de cabeça e no pescoço. Isso porque há um esforço para manter os olhos alinhados. Muitas crianças para tentar enxergar uma única imagem inclinam ou giram a cabeça. 
 
 
 
3-Como uma pessoa estrábica enxerga?
 
Estima-se que até os 7 anos as crianças têm um mecanismo natural que é capaz de eliminar a imagem distorcida. A visão é ruim, embaçada, mas não dupla. Depois disso, o cérebro não consegue juntar as duas imagens em uma e, com isso, os estrábicos enxergam tudo em dobro. 
 
 
 
4-É possível corrigir o estrabismo nos adultos?
 
Adultos que são estrábicos desde a infância podem fazer a cirurgia para correção do alinhamento ocular, entretanto é muito difícil corrigir a visão dupla, principal queixa dos estrábicos. Por isso, é na infância que se deve tratar o problema. 
 
 
Fonte: Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica, disponível em Saútil.