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Qual a diferença entre filtro e bloqueador solar?


O Brasil é um dos países mais ensolarados do mundo. Não é à toa: a localização da maior parte do seu território entre o Trópico de Capricórnio e o Equador favorece isso. A nós, que vivemos aqui, cabe, então, aproveitar todo o brilho do astro-rei, mas com cuidado!
 
Afinal, quem nunca ouviu falar que se deve evitar tomar sol entre as dez horas da manhã e as quatro da tarde? Essa recomendação é dada porque, nesse horário, é maior a quantidade de radiação ultravioleta que chega à Terra. Talvez você não saiba, mas a radiação ultravioleta é emitida pelo Sol e pode causar prejuízos à nossa saúde.
Dos três tipos diferentes de radiação ultravioleta que há, apenas um não é motivo de preocupação: a radiação UVC, a mais prejudicial, que é bloqueada pela camada de ozônio do nosso planeta. Já as radiações UVA e UVB exigem cuidados, embora tenham seu lado positivo.
A radiação UVA é quem faz com que o pigmento conhecido como melanina se combine com o oxigênio, produzindo o bronzeado, algo de que muita gente gosta. Já a UVB é quem estimula a produção de melanina e de vitamina D pelo organismo, fatores positivos. Porém, ambas causam o envelhecimento precoce da pele e câncer nesse órgão (sim, a pele é um órgão!).  E a UVB ainda induz o aparecimento de pintas escuras e queimaduras nessa parte do nosso corpo.
 
 
Por isso, é recomendável o uso de um protetor solar quando a pessoa for se expor ao Sol. Pode ser um filtro ou um bloqueador solar. Mas você sabe qual a diferença entre esses produtos?
Dupla dinâmica
Tanto os filtros quanto os bloqueadores solares têm a mesma função: evitar que a radiação ultravioleta penetre na pele e cause danos à saúde. No entanto, a sua composição química e a sua forma de funcionamento são bastante diferentes.
Os bloqueadores solares refletem a radiação UV e, em geral, apresentam em sua composição óxido de zinco ou dióxido de titânio, eficientes em proteger da radiação UVA e da UVB.
O bloqueador solar, porém, tem duas desvantagens: é opaco, ou seja, não fica transparente ao ser passado na pele, uma característica que muitas pessoas não apreciam. Além disso, bloqueia os poros da pele, o que favorece, por exemplo, o surgimento de espinhas.
Curiosidade!
O dióxido de titânio, usado para fazer bloqueadores solares, é também o responsável pela cor branca de fogões, geladeiras, micro-ondas etc. Este composto está presente ainda nos corretores líquidos do tipo liquid paper.
Já os filtros solares possuem em sua composição compostos que absorvem a radiação UVA ou UVB e a transformam em luz visível, inofensiva para a pele. Os primeiros filtros solares possuíam capacidade de proteção apenas contra a radiação UVA, mas os produtos mais modernos protegem tanto contra a radiação UVA quanto contra a radiação UVB.
 
 
Independentemente de ser um bloqueador ou filtro solar, a capacidade de proteção destes produtos é expressa pelo seu Fator de Proteção Solar (FPS), que mede a proteção contra um dos efeitos nocivos da radiação UVB – a queimadura na pele – em uma escala de 2 a 70. Este índice, determinado sob condições controladas em laboratório, representa quantas vezes mais tempo um grupo de pessoas usando protetor solar pode ficar exposta ao Sol antes de a pele ficar vermelha, em comparação com alguém que não usou o produto. Isto quer dizer que, se a pele desprotegida de uma pessoa começa a ficar vermelha após 10 minutos de exposição ao Sol, com o uso de um protetor com FPS 15 o efeito só será observado após 150 minutos. Assim, quanto maior o FPS de um produto, maior a proteção que ele confere.
 
Mas esse cálculo nem sempre é exato. Isso porque as pessoas, em geral, usam metade da quantidade de protetor solar utilizada em laboratório, o que pode resultar em uma queimadura na metade do tempo. Para evitar danos à sua pele, consulte um dermatologista. Ele indicará o FPS mais adequado à sua tonalidade de pele e o orientará sobre a forma adequada de usar o produto.
Novos produtos à vista
Com a ajuda de um novo ramo da química – a nanotecnologia, que trabalha com estruturas um bilhão de vezes menores do que um grão de arroz – estão sendo desenvolvidos bloqueadores solares diferentes. Esses produtos contêm nanopartículas de dióxido de titânio: isto é, partículas muito, mas muito pequenas. Elas permitiram que esses protetores solares ficassem transparentes na pele, mas mantivessem a capacidade de bloquear os raios UV.
 
Fonte: Ciência Hoje - UOL, Por Joab Trajano Silva, Instituto de Química, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Acesso em 13/09/2013